quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

DESPOJOS NO LEITO DE UM RIO

Nesse lamaçal
Repousas aberta!

O Rio recuou,
matreiro...
Fugiu !
Deixou à mostra a nudez de despojos
perdidos em seu leito!


Vi-te assim, aberta...vazia...suja!


Pensei...
Que sonhos já transportaste!
Que encontros secretos já presenciaste!


Quantas viagens já fizeste?
Quantos mundos já correste?

Quem , em ti, depositou as alegrias de um partir com regresso marcado?
Quem, em ti, fechou as memórias de uma vida e saiu para nunca mais voltar?

Repousas agora, abandonada!
Despojada da tua própria missão...
És apenas o espelho de ti própria
na forma de um esqueleto sem vida,
no leito de um rio... no meio do lamaçal.

Tive vontade de te resgatar...
Trazer à vida as tuas memórias!
E dizer-te que afinal..
Um dia...
Tal como tu,
Estarei eu  também desnudada...abandonada...suja
num leito de um Rio...

Estarei em repouso,
esperando que alguém
passe sem destino,
E repare em mim,
tal como reparei em ti!
EME
Foto : EME

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