quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

DIÁRIO DE UMA TURISTA NA PRÓPRIA CIDADE III !

Portimão, 7 de Fevereiro 2011

A minha companheira de férias

São 0h32m!
Reina o mais profundo silêncio!
Ardem os últimos troncos na lareira. Já nem aquecem!Estão ali pequenas brasas, já vestidas de cinza, apenas a fazerem-me companhia.
Não tenho sono! Estou sem pressa.Quero saborear este momento de forma serena, suave!
Os dias de férias passam lentamente!
Faço companhia à minha máquina fotográfica e ela retribui-me a dedicação com uma lealdade inquestionável.
Tornamo-mos intimas...profundamente intimas!
Saimos juntas sem destino!
Os meus olhos guiam-me e a emoção escolhe o momento.
Aí, pego delicadamente nela, coloco-a junto a mim e, em simbiose perfeita, olhamos na mesma direcção.Nesse momento, perco a minha vontade e entrego-me, qual amante em plena explosão de desejo, e deixo que me conduza.Num segundo , pelos seus olhos, vejo aquela onda, aquela gaivota no telhado de um velho casébre, as maravilhosas chaminés tapadas de ninhos de cegonha, vejo...vejo...vejo...
Num clic, o éfemero eterniza-se !O que era passageiro ficou agora gravado na memória da minha companheira de férias!
Hoje, assistimos juntas, à paixão no topo de uma chaminé!Este momento intimo, profanado pelos nossos olhos, mostrou-nos o quanto é maravilhoso a fusão de dois seres.
Assistimos ao desvaneio amoroso de um casal de cegonhas que, sem saberem que estavam a ser observadas, deram largas à sua paixão.
Ficamos juntas, em silêncio, espreitando!
E, no momento em que tudo era perfeito, apenas o som de um clic, trouxe-nos de volta à realidade.
Agora, na memória da minha máquina fotográfica está registado para sempre, um segundo que vale todas as horas do dia!
Estou de férias!Sem agenda!Sem programas!
Amanhã novo dia, nova viagem sem destino!
E, quando me perguntarem como foram as minhas férias, responderei:
- Inesquecíveis!Encontrei um amor para o resto da vida!

EME

1 comentário:

  1. Cegonhas! Sempre gostei das cegonhas no cimo dos postes.
    Fazem-me lembrar a minha aldeia, a Barreira, perto de Trancoso, onde eu e a minha irmã passávamos quase todo o mês de Julho e Agosto, nas casas dos tios; no meio de imensos primos.
    Fazem-me lembrar a minha infância e a juventude, que foram boas!
    Havia duas cegonhas no cimo da torre da igreja.
    Que saudades!

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