sábado, 19 de fevereiro de 2011

VIAJANTE DO MEU CARROSSEL


Encontraste-me sentada no meu carrossel colorido que andava à roda ao som de uma melodia imaginária.
Sorriste para mim...piscaste-me o olho...acenaste-me.
Saí tonta do rodopio do carrosel e vi-te em duplicado.
Eras um : sorridente, malandro, elegante .Parecias que vivias numa feira de diversões.Trazias nas mão doces que distribuias a quem se cruzava contigo.
Eras outro : olhar triste, sério, ferido.Estavas elegante na mesma, mas os ombros levemente descaídos.
Parecia que carregavas as penas do mundo.Numa mão, tinhas uma mala, pequena.A outra mão, aberta, vazia.
Na minha visão distorcida, vi-te criança feliz e vi-te homem sofrido.
Chamei por ti!Vieste em duplicado.
Pedi-te então que subisses para o meu carrossel.
Perguntaste:
- Qual deles queres?
Respondi-te :
 - O homem, porque a criança ainda é feliz!
Deixaste então a criança sentada num banco de jardim.Dei a mão ao homem e puxei-o para cima de um cavalinho de pau.
O meu carrossel começou a rodar...a rodar ...e a música imaginária embalou-nos!
De repente, tu , homem, começaste a sorrir.Endireitaste os ombros, abriste os braços e com os olhos fechados, deixaste que a ondulação do meu carrossel levasse as tuas penas, os teus fantasmas.Vi-te aos poucos saborear a leveza do teu ser.
Quando o meu carrossel parou, ficaste imóvel como se esperasses nova volta, nova viagem!
Chamei por ti...quando me olhaste, eras o homem com a criança dentro de ti.
O feitiço do meu carrossel tinha tomado conta da tua alma.
Perguntei-te :
- Onde está a tua mala?
Respondeste-me :
- Dentro do meu coração!
- Diz-me - perguntei-te - o que tinhas nessa mala?
- A minha vida.Carregava-a como um fardo, fora de mim.Agora, foi para o meu coração e a criança que vive lá dentro vai adoçá-la com os doces que tem na mão!
E, tal como te vi chegar ao pé do meu carrossel, vi-te partir, mas agora via apenas um....TU!

EME
Tela de Lora Shelley

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