sexta-feira, 11 de março de 2011

ACTO DE CONTRIÇÃO



Há dias assim...
Acordamos dentro do nosso casúlo, olhamos para o nosso umbigo e julgamo-nos únicos no sofrimento.
Tentamos injectar doses massivas de optimismo e nada resulta.
Tomamos um banho bem demorado, perfumamos o corpo,  vestimos a pele com a mais bela lingerie, adicionamos adornos para nos melhorar o estado de alma.Nada resulta!Olhamos o espelho e não gostamos do Eu refletido! Estamos em pleno mito de Narciso, só que inverso....não gostamos de nós!
Nada mais existe para além deste casúlo....
Vã e ignóbil prepotência!
Lá fora o mundo acontece e há dias, em que acontece da pior forma!
Num outro lugar, pessoas como eu, estão a enfrentar a vida de cabeça erguida, estão simplesmente a viver mais um dia do resto das suas vidas.E de repente, numa fracção de segundos, tudo desaparece.Deixa de existir o amanhã, literalmente!
A notícia é uma chicotada a seco.Um murro no estomago!
Enquanto procurava alimentar a minha insatisfação, fechadinha no meu casúlo, no mesmo momento, o mundo acabava para milhões de pessoas!
Assaltaram-me emoções diversas!
De terror , de angústia, de profunda tristeza por assistir quase em directo, à força da natureza que mostra o quanto somos efémeros e frágeis.Por outro lado, uma enorme humildade perante a coragem de quem sobrevive a uma horror daqueles e ergue a cabeça para enfrentar um amanhã sem futuro.
Saio do meu casúlo...agora com uma grande lição...hoje, neste momento, neste segundo, sou abençoada e nem sempre vejo isso!
E quero todos os dias lembrar-me disso para quando olhar o espelho e não gostar do Eu , lhe diga:
- Faz-te à vida que a morte é certa!

EME
(singela homenagem ao Japão)

2 comentários:

  1. Dias irreais.
    Dias de solidão e completo abandono.
    Dias em que perdemos a esperança e nos questionamos sobre o que vale e se vale realmente a pena !
    1 abraço para ti.
    (aqui não chove mas o céu está cinzento e coberto de nuvens)
    Ana Cristina Venâncio

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  2. ..."Lá fora o mundo acontece e há dias, em que acontece da pior forma!..."

    Sentidamente sentido, Elsa ! *

    António

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