quarta-feira, 9 de março de 2011

PORQUE ESCREVO!



Questiono-me porque sinto esta necessidade quase visceral de escrever, de materializar o meu pensamento!
O confronto com uma folha branca de papel é profundamente doloroso!
Sei o que quero escrever, sei as palavras de cor, sei o princípio e o fim, mas sofro ao olhar para aquele papel que se me afigura estranho, desafiante.É como se me dissesse :
- Estou aqui...és capaz de me preencher, de me transformar numa história?
Sinto o pensamento a explodir, como se estivesse em fim de tempo e quisesse parir...
São dores de parto! Difíceis!

Procuro a justeza e clareza do meu turbilhão para que possa fazer sentido.Sem isso, seriam apenas emoções, estados de alma em bruto.
Ando sempre com um pequeno bloco a que docemente lhe chamo "Livrinho dos segredos".
Nele caí em bruto, o meu pensamento, o meu sentir, o meu Eu caótico, desalinhado.
Julgo que às vezes, até me acharão louca...encostada a um canto qualquer, bloco na mão e uma caneta,  totalmente abstraída do que me rodeia. Nesse momento, mergulho num infinito azul e a minha alma nada em àguas profundas. Sinto-me a sucumbir, sem oxigénio, quase afogada ...
Quando, por fim, emergo, respiro fundo e... renovo-me...transformo-me, como fosse uma borboleta saída do casúlo.
A apartir daí, a minha escrita é espelho da minha alma...nua...totalmente despida de vergonha...sou Eva sem o Pecado Original.
Fui durante anos, um vulcão em estado latente, adormecido. Faltava-me a coragem de saltar para o abismo ...
Hoje, a minha alma anda nua na rua, livre e quanto mais se mostra, mais se desnuda.
Estou bem assim...Sou em Pleno, em Verdade e escrevo simplesmente porque preciso alimentar a minha alma e sem isto, morro!


EME

3 comentários:

  1. Eme querida!
    Continue a escrever sempre e sempre mais, pois consegues expressar-se muito bem
    Eu gostei dos teus escritos....e que bom que compartilhas.
    Beijos,
    Mara

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  2. Lindo Elsa!
    Parece que falas de mim, antes de uma aula ou antes de começar um trabalho...no papel ou no computador...; diante de uma paisagem, antes de tirar fotos..., aquela angustia de se fazer e nao ser capaz..., eu nao sou como tu, nao consigo explicar tao bem atraves da escrita, por isso continua a escrever, vais ter publico!
    Com muitos beijinhos da cidade "Lumière" ...
    Beti

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  3. Como te compreendo, sinto o mesmo quando escrevo, quando me entrego à imaculada folha em branco, quando a vou desvirginar. Beijo, querida amiga and go on!

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