segunda-feira, 30 de maio de 2011

TU E EU A ESSÊNCIA DE UMA AMIZADE



Sara e Elsa (Queima das fitas 1986)


Fomos gargalhadas soltas pela Alameda fora…
Fomos capa e batina na descoberta do conhecimento...
Fomos cumplicidade de sonhos e segredos guardados no coração…
Fomos, simplesmente maiores que a nossa própria existência.





Somos hoje, a solidez de vidas que demos vida…
Somos hoje, histórias compostas por muitos verbos conjugados em todos os tempos...
Somos hoje, mais do que aquilo que sonhamos e existimos na essência da Verdade que nos une.
(Hino a uma Amizade permanente na sua génese... feliz aniversário Sara)

EME

sábado, 28 de maio de 2011

HOMEM QUE FUI, ESTÁTUA QUE SOU





"Estátua viva de Antero Quental", foto by Alberto Correia
 
Passo o olhar …rostos inexpressivos, saltimbancos do circo da vida, corriam.
Tem o tempo, aquele que foge quando o queremos resgatar. Sinto-me espectador de uma peça de teatro, sentado naquele banco… único no meio da multidão. Tem a coragem de pegar no relógio e pará-lo. Não há horários, não há agenda a cumprir, não há nada…rigorosamente nada, a não ser o meu desprendimento assumido de uma vida a correr. Sou dono do tempo, sou dono daquele momento. Sou um “voyeur”…fascinado, quase excitado com esse estado de espiar a vida que corre à minha volta.
Acendo um cigarro…inspiro lentamente o fumo…expiro-o…contemplo a nuvem acinzentada que da minha boca saí…prazeres de alma que matam o corpo. Não me importo! Hoje quero mesmo esses prazeres e que se lixe o corpo…
Não resisto…lanço um olhar de macho à mulher que caminha languidamente com um vestido solto que ao ritmo dos seus passos cadenciados, insinua um corpo apetecível. Passa por mim e deixa-me o rasto de perfume sofisticado misturado com o cheiro do meu cigarro…apetecia-me dizer-lhe que a minha alma acaba de sentir o prazer de um momento, como o flash da minha Canon quando dispara. Fico pela vontade…fico pela intenção… mas não resisto…disparo, disparo…roubo num instante aquela mulher sensual e retenho-a na minha máquina…não lhe digo o meu prazer, mas fico com ela.
Ouço gargalhadas…viro a cara e vejo um grupo de jovens…descomprometidos com a vida. Já fui assim também. O amanhã era apenas uma conjugação verbal, mas o presente…ah, o presente era consumido à velocidade dos sonhos. Nesse tempo, olhava o horizonte e via miragens que eram concretas, reais. Acreditava, tinha a coragem de um guerreiro e a força da lava que rompe o vulcão.
Retomo o olhar, agora cansado, desencantado. Fixo-o no homem que sentado num pedaço de cartão, toca viola. Os acordes são dolorosos, como é dolorosa a sua vida. Espanta-me o sorriso rasgado que dá a quem passa. Oferece-o simplesmente, sem nada em troca. Fecho os olhos e embalado pela melodia, sinto-me também vagabundo…quero pegar na mala do meus sonhos (sim, apesar de tudo ainda tenho e são imensos) e embarcar sem rumo, sem destino. O que me importa é a viagem e não o destino. Quero parar onde os meus olhos se perdem e consumir o momento que vale a vida inteira. Quero consumir todos os sabores, quero absorver todos os cheiros e amar de todas as formas…
Abro lentamente os olhos…
Sinto-me inerte…estático…estou imóvel…
- Olha! É um homem estátua! – Oiço alguém dizer.
De repente, percebo a minha condição!
Sou uma estátua de rosto branco que por breves minutos, viveu a condição de Homem!
EME

terça-feira, 17 de maio de 2011

SIMBIOSES


"Mar Do Sítio" by Francisco Ramalho in PNETimagens


SIMBIOSE I

Eis…
Simbiose
Contrastes em Devir
Que se definem em profusão
Eis…
Cores perfeitas
Natureza
Em enlace de espuma celestial
 Acontecem
Eis…
Azul profundo
De um imenso Oceano
 Turbilhão
Resgatado num abraço
Em cores quentes
Da Terra fértil
Eis…
Fusão perfeita
Entre o Mar e a Terra
Que num bailado perfeito
Os contrastes
O Meu
E
O Teu
Simplesmente…
São!

SIMBIOSE II

Eis-Me Terra fértil
Quente
Em palete de cores outonais
Côncava…
Eis-Me Oceano Infinito
Húmida
Em movimento perpétuo
Azul profundo
Convexo…
Eis-Me espuma efémera
Semente de vida
Plana
Eis-Me em Verbo
No fluir da vida que se funde
Simbiose perfeita
Em Contraste de Ser!
EME

domingo, 1 de maio de 2011

MÃE

Palavras Soltas Para Uma Mãe

No teu Olhar encontro a paz que procuro para a minha vida!
Na tua Mão encontro a segurança para enfrentar as minhas batalhas!
Na tua Boca estão as palavras de conforto para as minhas horas de desalento!

E
Eu
Mãe
           Procurando Certezas, pergunto-te sem palavras, se o caminho que escolhi é certo….
E
Eu
Mãe
          Que busco a Felicidade, olho-te e quero que me digas onde encontrar essa fonte…

E
Eu
Mãe
          Que quero encontrar a sabedoria sobre todas as coisas, penso em Ti…
E, neste mar agitado, quando o meu barco perde o Norte, tu está aí…como um porto seguro para eu ancorar!

E
Eu
Mãe
          Que agora também tenho que ser…
Certeza!
Sabedoria!
Porto seguro!
Esqueci-me tantas vezes que tudo o que faço e sou, é porque me deste, não o que tinhas a mais, mas o que de melhor havia em ti!
EME