segunda-feira, 31 de outubro de 2011

OÁSIS EM DESERTOS



Foto by EME " ÓASIS"

Gosto de desertos!
Gosto de oásis verdejantes que escondidos no meio de densas dunas, mudam a cor da paisagem.
Há pessoas com paisagens assim!
Olhamos e vemos olhares áridos, expressões agrestes, quase intocáveis, intransponíveis, como as dunas no deserto do Saara. Duvido sempre desta visão. Procuro sempre ir mais além, porque a evidência é enganadora. Nem sempre o óbvio é fonte de verdade.
Escondem-se paisagens de inesgotável vida, pulsante, nessas áridas paisagens.
Nesse mapa geográfico ficam a descoberto fontes de água pura e cristalina, onde a sede se sacia, em conjugação permanente.
Há pessoas assim…secas por fora…mas por dentro…por dentro são cascatas fulgurantes,  montanhas vestidas de florestas tropicais, delirantes labirintos onde se perdem viajantes incautos.
Nestas geografias explodem tempestades, vulcões, sismos, expressão de uma natureza guardada e apenas partilhada a quem, por vontade própria, arrisca ver mais além…
Há pessoas que são assim…desertos por fora…e perdições por dentro.
Não gosto do óbvio…gosto de ver mais além e simplesmente perder-me!

domingo, 30 de outubro de 2011

Do que sei, do que nunca saberei e do que não quero saber!

Foto by EME "Reflexos!



Confronto.me. Questiono.me.
 Re.invento.me. De.coro.me
 Sei dessas evidências que me acompanham, irrequieta.
Do que nunca saberei… Sublimo linearmente essa ausência.
Não quero saber!... Daquilo que deveria ter sido e não foi… Do errado que se torna certo… Do espaço que não ocupo e que julgo pertencer… Dos vazios que tenho e não se preenchem… Em que medida não sou medida para ninguém… Das ausências que se tornaram permanentes… De desassossegos pessoais e desacatos alheios… Das certezas que nunca terei… … De feitos contrafeitos…
Sei como sou, nunca saberei o porquê e não quero saber daquilo que me tira a ilusão de que afinal, alguém quer saber de mim.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

SOMBRA

"Sombradeambulada"by Mnn




Soltas vão as horas, numa noite quente e húmida.
Sou guardiã dos pensamentos que poluam na noite escura.
Viajo por becos e esquinas …resgato no manto do silêncio a solidão que habita nestes caminhos encruzilhados. São gente de olhar perdido em busca de respostas que não querem ouvir.
Sinto o peso da sua presença em forma de um denso fumo que o envolve.
Aproximo-me…não sente a minha presença…sou invisível como sãos os seus pensamentos que correm livremente. Ligeiramente curvado, acende mais um cigarro e inspira fortemente …sopra com preguiça o fumo que sai pela boca, acariciado pelos seus lábios. Corro atrás dessa nuvem e oiço….
….
Não tenho relógio…detesto relógios! Fazem sentir-me preso e eu nasci para não ter outro ritmo que não seja o meu.
Gosto da noite! A sua escuridão é como uma amante…dá prazer e nada questiona…está simplesmente porque quer estar. Por isso, é na noite que acerto o meu desassossego, vagueio o corpo e liberto a alma.
Sem pressas, ando pelas ruas. Vejo as putas que em lânguidos movimentos vendem o prazer com minutos contados e os homens que as compram, cheirando a sexo em ebulição.
Tudo acontece ao ritmo da vida real, nua e crua. Sem fingimentos, sofisticações: os odores que sinto são de corpos suados, os olhares que me cobrem têm marcas de sonhos rasgados e as melodias que entoam são dedilhadas em violas gastas por um tempo sem memórias.
Gosto disto. Sinto-me vivo aqui. Neste mundo, a indiferença é um estado de alma de quem nada pede porque nada tem para dar. Sou apenas mais um que deambula pelas ruas. Nada me pertence e eu não pertenço a ninguém. Sou apenas Eu e quanto mais habito neste mundo, mais pleno Sou.
Não me interessa a incompreensão dos outros, estou-me nas tintas para isso. Ninguém me questionou, se as amarras que prenderam as minhas asas, feriram! Ninguém quis saber, as batalhas que travei e que preço paguei para as vencer.
Desbravei mundos…fiz das cidades minhas amantes e em cada uma amei o prazer. Cada rua foi minha, possuída ferozmente. Meu corpo ficou exausto dessa entrega, mas renovado para, noutro recanto, jorrar novamente em prazer.
Vi a injustiça erguida em estandarte…Fiz do ódio meu Aladino e desventrei os medos castrantes. Quis a liberdade plena de ser omnipresente e omnisciente e sem barreiras saltar o abismo.
Vivi a incerteza da minha própria certeza e hoje, vivo apenas com a minha certeza incerta.
Não quero mais nada porque já tive tudo. O nada que me acompanha preenche o tudo que dentro de mim vive.
Vou pintar a vida que quero com as cores da minha poesia e despojado de tudo, resgatarei todos os sonhos na tela que comecei e que nunca terá fim….
- Dá-me um cigarro! Peço-lhe.
- Pensava que nunca mais pedias – responde-me o homem de gabardina preta que fuma um cigarro na esquina de uma noite escura.
Em silêncio, olhamos o fumo que saí das nossas bocas e que suavemente esvaí – se na escuridão…pensamentos que voam em concordância.



                

domingo, 23 de outubro de 2011

Pássaros e Almas do meu Outono

Foto by EME "Sombra Pássaro"

Partem Pássaros do meu Outono em busca d'outra Primavera.
Sei que voltarão num dia de sol brilhante com a natureza a desabrochar.

Partem almas neste meu Outono ...
Sei que ficarão sempre, guardadas dentro do meu coração.

Até Sempre Zézinha!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

CONTEMPLANDO BÓSFORO...ALONE


Foto by Regina Matos de Almeida "Gente.People"


Desprendo o tempo que por mim passa
veloz
volátil

Resgato a fluidez deste azul celestial
em cristalinas águas
Fronteira
de sangue derramado.

Abandono-me em solidão
acompanhada de mim.
Sou …
Simplesmente
o rasgo desta prisão
em guilhotina aguçada
de ancestrais rituais

Partirei sempre
em olhares mergulhados
navegantes de caravelas perdidas
de batalhas constantes
em conquistas secretas
aquecidas por estrelar solar
em qualquer tarde quente
neste estreito milenar.