domingo, 25 de novembro de 2012

Pensamentos soltos

Podemos escrever belos textos, em perfeita caligrafia e em linhas direitas, mas a vida é tudo menos um texto com história conhecida, letras focadas e muito menos com escrita certa e direita. E quando lemos o que ela vai escrevendo, nem sempre é aquilo que desejamos.
Resta-nos ler e tentar na próxima vez, escrevermos melhor a nossa história.


Foto EmE

domingo, 18 de novembro de 2012

Asa quebrada

Horas incertas
Voos por fazer
Uma asa quebrada
Neste meu entardecer

Suavemente...
chegas de mansinho
 luz azul do amanhecer
e já não sou mais prisioneira daquele caminho

Voo até ao fim do mundo
 para o meu sonho acontecer
apenas uma asa me basta
para em ti me prender
.
Vou em voo 
até onde a minha alma se preencher
E que nunca me falte a coragem de dizer
"Sou feliz assim, mesmo com a minha asa quebrada"

( Poema e foto dedicada à minha amiga de coração Sandra Leite)


Apenas uma vez..De cada vez

Talvez o esquecimento nos leve a memória daquilo que fomos.
Olharemos para ontem e veremos estranhos de nós.
Seremos apontamentos em papel seco e gasto e as letras que nos escreveram estarão desbotadas.
Alguém, entretanto, pegará nessas folhas deixadas ao acaso e saberá que um dia, no acaso da vida , tu e eu,  acontecemos. Fomos um caminho traçado na incomensurável ironia da vida.
Talvez...
Tarde de mais...
Talvez....
Apenas um sonho...
Talvez, apenas talvez...sejamos apenas um encontro que se faz apenas uma vez, de cada vez.

Foto José Oliveira

As Horas Azuis


Paro o tempo
no exacto momento
em que um momento
é pensamento de te ter aqui.
E as horas que passam, ficam assim…
Simplesmente azuis!
Foto José Oliveira

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

"Eu Simplesmente Amo-Te"


Foto EmE


Eu Simplesmente Amo-Te

"Eu amo-te sem saber como, quando, ou a partir de onde.
Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu
amo-te desta maneira porque não conheço qualquer ou-
tra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu,
tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha
mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos
fecham-se" 

Pablo Neruda, in " Cem Sonetos de Amor"

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Vejo-Te na tua melodia


Passas por mim.
Há dias que te vejo. Não dás conta que existo aqui.
A primeira vez que dei conta da tua presença foi nos acordes da tua viola.
Sentada aqui onde estou, chegaram-me notas suaves, notas de uma melodia que tu, invariavelmente, tocas todos os dias.
É triste a tua melodia. Há momentos em que consegues fazer chorar as cordas …lamentos de saudade. As pessoas passam por ti, ouvem a tua melodia, mas não te vêem. Para além da tua viola, da tua melodia, não existe mais nada. Quando falam de ti, não é do homem solitário, carregado de tristeza que falam, é apenas da tua arte, feita em música.
Estranho tanto!
O que vi primeiro em ti, foi o teu caminhar arrastado, pesado. Quem visse julgaria que era do peso dessa companheira inseparável que carregas nas costas. Não, nunca julguei que ela te pesasse. Ela alivia-te a alma.
A alma, essa forma imperceptível e invisível de ti, é que vem carregada da dor que um dia, resolveu ficar.
O que oiço, sentada onde estou, são os acordes dos teus medos, fantasmas e ausências que te preenchem. A viola e a música que dela sai é apenas tudo isto composto em pauta musical. 
Todos a ouvem...apenas eu te vejo.
Os outros passam…
Deixo-me ficar…
Foto José Oliveira


sábado, 3 de novembro de 2012

Linhas Curvas de Vida

Do caminho que faço
Vezes sem conta
perco as linhas..
Linhas curvas
que fazem dos meus caminhos
lugares incertos
espaços vazios

Calçada feita de pedra cinzelada
faz-se amante desta sombra
que me acompanha
nestes dias de linhas curvas

Deste caminho que faço
Não sei onde vou
Sei apenas que cada passo que dou
É pedaço de vida
Vivido
Amado
Rasgado
Na fúria de querer
linhas curvas
sentidas
Dentro de Mim.
Foto NunoAndrade