quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Vejo-Te na tua melodia


Passas por mim.
Há dias que te vejo. Não dás conta que existo aqui.
A primeira vez que dei conta da tua presença foi nos acordes da tua viola.
Sentada aqui onde estou, chegaram-me notas suaves, notas de uma melodia que tu, invariavelmente, tocas todos os dias.
É triste a tua melodia. Há momentos em que consegues fazer chorar as cordas …lamentos de saudade. As pessoas passam por ti, ouvem a tua melodia, mas não te vêem. Para além da tua viola, da tua melodia, não existe mais nada. Quando falam de ti, não é do homem solitário, carregado de tristeza que falam, é apenas da tua arte, feita em música.
Estranho tanto!
O que vi primeiro em ti, foi o teu caminhar arrastado, pesado. Quem visse julgaria que era do peso dessa companheira inseparável que carregas nas costas. Não, nunca julguei que ela te pesasse. Ela alivia-te a alma.
A alma, essa forma imperceptível e invisível de ti, é que vem carregada da dor que um dia, resolveu ficar.
O que oiço, sentada onde estou, são os acordes dos teus medos, fantasmas e ausências que te preenchem. A viola e a música que dela sai é apenas tudo isto composto em pauta musical. 
Todos a ouvem...apenas eu te vejo.
Os outros passam…
Deixo-me ficar…
Foto José Oliveira


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