segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

"All that Jazz"

Chovia...
Gotas finíssimas caíam agora ao chegar a noite.
As luzes da cidade começavam a mostrar as sombras que deambulavam pela rua e o chão, agora molhado, reflectia ténues luzes douradas.
Aconcheguei o blusão ao corpo. Soprava uma brisa fria, vestida de gotículas.
Não me importava o frio, a chuva, a noite que se aproximava. Estava sem destino e naquele momento, aquela atmosfera, era perfeita para mim. Eu, a cidade envolta em sombras e o frio, combinávamos. Estávamos uns para os outros, sem contrapartidas.
Ao longe, oiço a sonoridade de um saxofone.
Sempre gostei deste som.
 Lembra-me os tempos em que no Bar "All that Jazz", sentado na mesa redonda com um copo de whisky na mão e cigarro no canto da boca, ouvia o Zé Manel a tocar "Red Wind" de Jan Garbarek. Invariavelmente a noite acabava a ouvir isso e invariavelmente, a noite acabava nos lençóis amachucados pelo desejo que nos consumia.
Eu e ela, esquecíamos facilmente o mundo.O mundo era eu e ela, naquele quarto e quando o dia despertava, nossos corpos nus e cansados, eram tudo o que existia.
Aproximei-me ... cada vez mais presente a melodia, cada vez mais presente , ela.
O saxofonista nem notou a minha presença.
 Tocava com alma e nesse preciso momento, entreguei também a minha a "Red Wind" e a um quarto onde  perdi a minha, para nunca mais a encontrar.

Chovia...
Gotas finíssimas corriam agora pela minha cara...era mais uma noite a ouvir Jazz



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