domingo, 10 de fevereiro de 2013

Porque já não sou!

Por trás destas plumas, ao sabor do vento, deixo o o meu corpo repousar.
Estou cansado, exuasto.
Vejo-te serena por esses caminhos que tantas vezes percorremos a dois, partilhados no silêncio onde nos entendiamos.
Desse tempo pouco ou nada ficou, apenas o vazio da tua partida.
Não sei se ainda te lembras do dia, em que ao teu lado, me fizeste ouvir pela primeira vez, o timbre da tua voz. Soou-me a notas de um violino e à medida que ias falando, dentro de mim, construia-se uma sinfonia.
Foi a tua voz que me fez acordar da letargia que este corpo, já morto, tinha.
Ressuscitei!
Devolveste-me a vida ao som da tua voz.
Os meus dias eram feitos de concertos, onde tu tocavas em mil e uma palavras , todas as notas.
Muitas vezes, sem saberes, olhava a tua boca para te ouvir, para te ler...o silêncio ia chegando  e impunha a sua ditadura.Não pediu licença, não perguntou se eu viveria sem a tua voz. Fez-se dono e senhor de mim e roubou-me a única coisa que me fazia viver: a melodia que saía dentro de ti.
Silênco...
Silêncio...
Tanto silêncio na ausência da tua voz que a noite escura que por dentro se fez, matou-me e já não sou mais nada.

Foto by NunoAndrade




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