domingo, 28 de abril de 2013

Há vento por ai.

Há vento, muito vento.
Levanta-se pó...pó que queremos poisado.
Voam cabelos, saias e folhas num rodopio sem parar
E a ventania que se sente lá fora
Trás o cheiro do mar
A Saudade de navegar

Há vento, muito vento
E o temporal que se faz cá dentro
Veio para ficar.
Foto By Eme


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Memórias do Dia em Mim

Passamos inocules até ao dia em que se faz Dia.
Conhecemos metade de nós mesmos para nos reconhecemos inteiros, a partir daí.
E, se perguntarem :
-  Por onde andaste?
- Aqui, junto ao Mar, à procura de ti!

( in - "Memórias do Dia em Mim")


Foto By Eme ( dia 26.7.2012)

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Ao fundo de mim

 Lentamente  emerge-se desse lugar no fundo de nós mesmos, onde nos afogámos, como se num poço , habitássemos.
O puzzle de muitas peças que nos fez ilusoriamente inteiros, perdeu a lógica e nada mais resta que a incompreensão do caos que se fez.
Aos poucos percebemos que não há limite para o nosso próprio limite.
Reinventamos , reciclamos...queremos sobreviver e emergir desse fundo, onde fomos tão fundo.
E no fio da navalha, hiato entre a desistência e a sobrevivência, emergimos feitos de estilhaço e gritamos alto:
- Basta!  Quero-me inteiro, mesmo que de mil cicatrizes, feito!
E muito lentamente deixamos para trás , afundado nesse poço fundo do nosso esquecimento, as memórias de ilusões que em nós criámos.
...
Sobrevivo neste caminho que faço agora ao fundo de mim e vou perdendo as peles que vesti, até estar novamente nua, totalmente nua, para me cobrir novamente de outras peles.

Foto By Eme



quarta-feira, 24 de abril de 2013

Sombras


Oiço no silêncio....
sinfonias incompletas 
melodias imperfeitas
Já não há música
Apenas  lamento

E jazem serenas
na calçada fria
as sombras completas

Tua
Minha!

Foto by Eme




terça-feira, 23 de abril de 2013

Cansaço

Cansaço!
Cansaço de alma
Desventrada 
Rasgada
Cansaço?
Do quê?
Cansaço de ser assim...
Uma miragem.
E o jardim de jasmim
É agora o deserto que mora aqui.
Foto By "Him"

CARTAS V

Continuo a escrever-te.
Hoje, dia Mundial do Livro, queria contar-te que se pudesse ser outra coisa qualquer que não fosse ser o que sou, seria necessariamente, um Livro.
Sim, um Livro!
Imagina-me um Livro.
Nunca pensei que forma teria, se seria grande, pequeno. Sei apenas que teria muitas folhas...imensas folhas.Umas escritas, outras em branco.
Nas folhas escritas, estariam milhares de palavras, tantas quantas histórias já escrevi de mim e em mim.
Não tenho feitos de heróicos, não tenho histórias de encantar.Tenho apenas e somente a minha história, feita de coisas banais, tão banais como é a vida que julgamos excepcional.
Sei que não me lerás, mas se o fizesses, encontrar-me-ias vestida de muitas peles, mas todas de mim.
As folhas brancas, sem nada escrito, eram apenas espaços vazios dentro de mim para que tu , quando me lesse, os preenchesse.
Gostaria de ser um Livro para que me lesses e me reinventasses a cada folha, a cada instante em que te apetecesse ter um livro entre as tuas mãos e estar assim, sempre junto de ti.
Foto By "Him"

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Corações de Pedra


Eram de pedra, os corações
Talhados e cinzelados pela vida
Escultora de todas as dores                                                   
Tormentos e até, imagine-se
De alegria

E,
Num breve instante
O beijo suave
Roubado e calado
Deu vida aos corações de pedra
Que bateram mansinho


Foto By Olinda Coutinho




domingo, 21 de abril de 2013

Luz

Encontro a escuridão
Feita de suave intimidade
Tingida pela imensa solidão

Embrulho-me na manta das minhas memórias
Deixo o meu corpo aquecer do calor que emerge 
De momentos feitos da luz que brilha por dentro
E recordo...
Houve um dia
Em que a luz que na noite escura, aquecia
Era tu e eu,
feitos pedaços de cera
que derretia!

O Conquistador

Quem és tu?


Deixa-me entrar nesse lugar
feito de mil venturas que apenas tu, sabes estar.

Nesse lugar, onde secretamente, habitas,
povoa a imaginação em monólogo
palavras conjugadas
flautas afinadas
e solidão encantada.

Há heróis feitos de papel
que de Coragem são feitos
conquistas a ferro e fogo
geografias feitas de vales e desertos
Oásis perdidos.

Há monstros imaginários
que teus sonhos assombram
montados no medo da noite escura

Quem és tu, senão eu
feito menino escondido
dentro de mim?

Foto By Pedro Corage

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Rasgos

Cose-se a ponto fino
Rasgos que vamos fazendo
Quantos mais pontos damos
Mais rasgos vai ficando

E laça vai ficando
A linha com que se vai remendando
Foto by Eme

FRAGMENTOS XIII

Nada do que escrevo, tem valor de palavra dita.
É apenas minha alma nua coberta de palavras soltas.
E há frio, imenso frio aqui dentro.
Foto By Eme

domingo, 14 de abril de 2013

Jardins assim!

No imenso deserto dos dias fechados e amordaçados
Alguém consente... mesmo que ausente
Que margaridas floridas, nasçam selvagens
Junto do Azul, desfeito e desnudado

E frio da imensa solidão, suavemente desaparece
Floriram margaridas pela manhã
Neste jardim , apenas feito por mim.


(Para a Olinda porque há jardins assim)
Foto By Eme 


.






sábado, 13 de abril de 2013

Sabes porquê?

Sabes porquê?
Talvez  fome
Talvez agonia
Talvez solidão esquecida

Sabes porquê?
Porque esquecemos
E passamos sem saber
Ao lado de quem apenas quer
A alma, dar de comer

Sabes porquê?
Porque andamos vazios
Nestes espaços onde existimos

( Para o Nuno Andrade porque a Amizade nunca se esquece)

Foto By NunoAndrade

Cartas III

Continuo a escrever-te em papel imaginário , das coisas que andam dentro em mim.
Há dias em que nos sentimos perdidos, pelas perdas que temos e que nos fazem esquecer o tanto que ganhamos neste caminho que julgamos eterno.
Não sei se sabes, mas já perdi imenso.
Perdas dolorosas, perdas que nos deixam sem rumo.
Perdi o que me ligava à terra que me viu nascer.
 Numa noite escura, em fuga, fechei a porta e lá dentro, todo o mundo que julgava certo. Desse período da minha meninice, ainda resta um velho e gasto boneco de peluche, único companheiro da minha viagem, a que fiz  por fora e por dentro.
Depois vieram as outras perdas : as que nos deixam estéries por nos roubarem o entendimento e a razão de ser. 
Dói não saber ...Porquê?
Dói no fundo da alma, onde estão guardadas as memórias.
E nestes dias, em que quase me esqueço o quanto tenho ganho neste meu trilho, procuro bem fundo de mim,  as pequenas vitórias, os pequenos gestos, as lembranças de quem já não vejo junto de mim.
E ainda não perdi nada...porque chegará o dia, em que a minha memória será um extenso e árido deserto e nada mais estará presente que não seja a ausência de mim.

Continuo a escrever-te...enquanto não fores, também, uma perda para mim.

Foto by Eme

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Suavemente...partem

Partem suavemente na noite
Os pássaros da nossa Primavera
E deixam-nos mergulhados no frio gélido
Da dor permanente

Voam para parte incerta
Os pássaros da nossa Primavera
E calou-se para sempre
O canto suave da pomba
Que sorria para mim
Todos os dias, pela manhã.

Até sempre Sorriso!
Foto By Eme

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Silêncio*ausência

Quando nos meus silêncios tempestuosos,
Alguém me diz baixinho:
 - gosto tanto de te ouvir!

Quando na minha ausência
Alguém me diz baixinho
- Sinto a tua falta aqui!

O meu silêncio é quebrado,
A minha ausência é afastada
E eu digo a alguém:
- É bom saber que existes assim!

E continuo no silêncio, ausente e não está ninguém para me ver assim!
Foto by Eme

quarta-feira, 10 de abril de 2013

FRAGMENTOS XII

Um dia faço a mala.
Parto... como partem todos, um dia.
A minha mala terá a forma da memória..
Lá dentro, estarei eu e tudo o que fez de mim, assim.
E, se a memória não me falhar, lembrarei os momentos...que é tudo que levo daqui.
Foto by Eme



Na companhia silenciosa do Azul

O desalento vestiu-se e saiu à rua
A tristeza sentou-se num banco de jardim
A solidão cansou-se e desistiu de viver


Ao longe,
O azul presente fez-lhe companhia
Enquanto o tempo corria.

Passaram-se anos!
O corpo encolhia
A alma morria
E o azul que também se esbatia
Foi ficando, foi ficando
À espera que o seu amor
Fizesse magia

Passou uma criança
E disse baixinho:
- Não olhes para baixo
  que apenas vês as sombras
  Olha em frente
  Que é lá que mora o horizonte.

E ainda hoje
o velho cansado
Olha o chão
E o azul silencioso
Faz-lhe companhia

( Dedicado a Ivone Martins )

Foto by Eme

Cartas II

Continuo-te a escrever. Talvez um dia, te cheguem às mãos já feitas em retalhos, tal como a minha vida é : de retalhos.
Imagino-te sentado num qualquer banco...não; neste banco onde estou agora sentada a escrever-te e nas tuas mãos, as folhas amarelecidas do que já sou.
Nessas cartas, estão contos, muitos contos, cheios de pontos, com que escrevo assim.
Conto-te...
O dia em que te descobri;
O dia em que te vi;
Os dias em que te amei;
O dia em que te vi partir.

Descobri-te ao acaso, em olhares feitos de azul, em bolas gigantes de sabão que pareciam eternas.
Vi-te num dia de sol, em pleno verão, onde o rio se vestiu suavemente de azul e embrulhas-te no teu olhar, gravado por ti.
Amei-te, todos os dias, de ontem, de hoje e de amanhã porque há coisas que são assim.
Vi-te partir no dia em que um conto teve mais pontos que os contos que julgava aqui.

Imagino-te a ler os meus contos, um dia, sentado neste banco onde agora te escrevo enquanto eu esmoreço lentamente, algures, a escrever para ti.

Foto by Eme

Olhar-Te


Um instante...
deixa-me agarrar num instante
tua alma de viajante

Prendo-a ...
cativa deste instante
onde me desfaço
neste desejo escondido

Olha-me...
aqui está o alento
onde te vejo nu
onde te encontro

Vem...
tenho tudo aqui
o mar para onde te levo sem fim
ao fundo de mim.

( Poema dedicado a um jovem casal apaixonado que toca pelas ruas de Lisboa e ao autor da fotografia que captou o olhar que me inspirou)

FRAGMENTOS XI


Nem sempre levamos direito o caminho que fazemos.
Há sempre um esquina para dobrarmos e há sempre a esperança que , ao dobrá-la, seja sempre diferente. Para melhor, ou para pior, a vida dirá.
Foto by Eme