quinta-feira, 25 de abril de 2013

Ao fundo de mim

 Lentamente  emerge-se desse lugar no fundo de nós mesmos, onde nos afogámos, como se num poço , habitássemos.
O puzzle de muitas peças que nos fez ilusoriamente inteiros, perdeu a lógica e nada mais resta que a incompreensão do caos que se fez.
Aos poucos percebemos que não há limite para o nosso próprio limite.
Reinventamos , reciclamos...queremos sobreviver e emergir desse fundo, onde fomos tão fundo.
E no fio da navalha, hiato entre a desistência e a sobrevivência, emergimos feitos de estilhaço e gritamos alto:
- Basta!  Quero-me inteiro, mesmo que de mil cicatrizes, feito!
E muito lentamente deixamos para trás , afundado nesse poço fundo do nosso esquecimento, as memórias de ilusões que em nós criámos.
...
Sobrevivo neste caminho que faço agora ao fundo de mim e vou perdendo as peles que vesti, até estar novamente nua, totalmente nua, para me cobrir novamente de outras peles.

Foto By Eme



3 comentários:

  1. porque viver é perdermo-se nas candeias que alumiam mortes breves sem nunca deixar de se perceber onde guardar os pés.

    um abraço, elsa e... grande olhar, este!!! captado num 25 de abril que, cada vez mais, devolve o homem aos seus silêncios.

    ResponderEliminar
  2. Um grande texto, uma excelente foto. Parabéns Elsa. Que nunca nos sintamos nus de ideais, de valores. Bjo

    ResponderEliminar
  3. Belíssimo e muito verdadeiro. Parabéns.

    ResponderEliminar