quarta-feira, 10 de abril de 2013

Cartas II

Continuo-te a escrever. Talvez um dia, te cheguem às mãos já feitas em retalhos, tal como a minha vida é : de retalhos.
Imagino-te sentado num qualquer banco...não; neste banco onde estou agora sentada a escrever-te e nas tuas mãos, as folhas amarelecidas do que já sou.
Nessas cartas, estão contos, muitos contos, cheios de pontos, com que escrevo assim.
Conto-te...
O dia em que te descobri;
O dia em que te vi;
Os dias em que te amei;
O dia em que te vi partir.

Descobri-te ao acaso, em olhares feitos de azul, em bolas gigantes de sabão que pareciam eternas.
Vi-te num dia de sol, em pleno verão, onde o rio se vestiu suavemente de azul e embrulhas-te no teu olhar, gravado por ti.
Amei-te, todos os dias, de ontem, de hoje e de amanhã porque há coisas que são assim.
Vi-te partir no dia em que um conto teve mais pontos que os contos que julgava aqui.

Imagino-te a ler os meus contos, um dia, sentado neste banco onde agora te escrevo enquanto eu esmoreço lentamente, algures, a escrever para ti.

Foto by Eme

Sem comentários:

Enviar um comentário