sábado, 13 de abril de 2013

Cartas III

Continuo a escrever-te em papel imaginário , das coisas que andam dentro em mim.
Há dias em que nos sentimos perdidos, pelas perdas que temos e que nos fazem esquecer o tanto que ganhamos neste caminho que julgamos eterno.
Não sei se sabes, mas já perdi imenso.
Perdas dolorosas, perdas que nos deixam sem rumo.
Perdi o que me ligava à terra que me viu nascer.
 Numa noite escura, em fuga, fechei a porta e lá dentro, todo o mundo que julgava certo. Desse período da minha meninice, ainda resta um velho e gasto boneco de peluche, único companheiro da minha viagem, a que fiz  por fora e por dentro.
Depois vieram as outras perdas : as que nos deixam estéries por nos roubarem o entendimento e a razão de ser. 
Dói não saber ...Porquê?
Dói no fundo da alma, onde estão guardadas as memórias.
E nestes dias, em que quase me esqueço o quanto tenho ganho neste meu trilho, procuro bem fundo de mim,  as pequenas vitórias, os pequenos gestos, as lembranças de quem já não vejo junto de mim.
E ainda não perdi nada...porque chegará o dia, em que a minha memória será um extenso e árido deserto e nada mais estará presente que não seja a ausência de mim.

Continuo a escrever-te...enquanto não fores, também, uma perda para mim.

Foto by Eme

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