segunda-feira, 9 de junho de 2014

O rapaz do violino gordo

Corria uma leve brisa no entardecer da cidade.
Gente atarefada carregava o cansaço de um dia, mais um dia, sem história, nem memória. Um dia, como tantos outros.
Na rua as luzes dos candeeiros já brilhavam, misturando-se com os néones das lojas, publicitando moda e sonhos difíceis de comprar.
Naquela hora, a cidade adquiria uma magia hipnotizante. Tudo era luz, brilho. Era fácil imaginar que finas sedas vestiam-nos a pele e perfumes de odores sofisticados esvoaçavam pela atmosfera citadina.
No meio da rua que vendia fantasia, suave melodia misturava-se libertando notas de um violino cansado. Na penumbra, quase esquecido, o rapaz dedilhava no violino que era muito mais gordo que cansado, “Mrs Bojangles”.
E, muito baixinho, alguém cantava :
“He said, "I dance now at every chance at honky-tonks for drinks and tips.
But most of the time I spend behind these county bars, 'cause I drinks a bit"
He shook his head, yes, he shook his head, I heard someone ask him, "Please,
Mr. Bojangles, Mr. Bojangles, dance, dance, Mr. Bojangles, dance”


" O rapaz do violino gordo" - Foto by José Oliveira