sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

FRAGMENTOS V

Nada nos pertence!
Até a própria vida, a nossa própria vida, é efémera, volátil e perene.
Temos a ilusão que somos donos de bens materiais, de pessoas e afectos.
Nada, rigorosamente, nos pertence!
Usufruímos temporariamente de objectos e partilhamos por instantes, a vida que é nossa e a vida que é dos outros.
Apenas a partilha, nada mais, é o que nos resta desta caminhada que fazemos , tão breve, como o sopro da brisa da manhã.
Os bens materiais substituiem-se;
Os bens sentimentais guardam-se na memória;
Os afectos preenchem-nos a alma.
Tudo o resto é etéreo.

FRAGMENTOS IV

Riscados vidros de Vida há muito riscada de viver.
Nas linhas que se lê, entrelinhas da vida contada de histórias cruzadas.
E lá vai o eléctrico que já não tem desejo...tem apenas a solidão sentida por dentro.


domingo, 17 de fevereiro de 2013

FRAGMENTOS III

Há dias perfeitos...
Momentos únicos.
Vivê-los é artimanha dos Deuses.
Perdê-los é ironia da Vida.
E há sempre o Ontem para se recordar, o Hoje para acreditar que Amanhã haverá mais um desses momentos.

Foto By José Oliveira



FRAGMENTOS II

Calçada feita de pedra encaixada, tão encaixada que parece ondulada.
Puzzle perfeito.
Passa uma vida, desconectada.
Vem imperfeita pelas ruas da calçada e nem repara que as pedras que pisa , são apenas, penas, da sua vida.
Foto by Eme


FRAGMENTOS I

Diz-me Lua porque me sinto assim!
Diz-me onde está o deslumbramento desse instante!
Diz-me para onde voou aquele pássaro que um dia pousou no meu ombro e fez-me acredtiar que no meu Outono, tinha chegado a Primavera.
Diz-me Lua, onde estás?
Até tu já não moras mais aqui, nestas noites feitas de horas lentas.
Foto by  "Him"

domingo, 10 de fevereiro de 2013

O dia em que os lirios floresçam


Plantei uma Árvore!
No meu quintal!
Floriram todas as primaveras e fez-me sombra em todos os meus quentes verões.
Escrevi um Livro!
Debaixo da minha Árvore!
Nenhum best seller, apenas um livro, meu, da vida que vivi, das vidas que em mim, viveram.
Tive um Filho!
Feito de amor!
Fez-me eternidade, na minha circunstância temporal.
Uma Árvore plantada;
Um Livro escrito;
Um Filho carne da minha carne.

Passaram os anos!
O Filho na vida que agora escreve, não tem folhas para mim.
A Árvore secou e morreu e já não há primaveras, nem verões no meu quintal.
O Livro, gasto e velho, caiu no esquecimento.

Que me falta fazer?
Nada!
Apenas esperar que o dia em que os lírios floresçam junto ao túmulo  onde vou ficar.

Foto by Eme

Porque já não sou!

Por trás destas plumas, ao sabor do vento, deixo o o meu corpo repousar.
Estou cansado, exuasto.
Vejo-te serena por esses caminhos que tantas vezes percorremos a dois, partilhados no silêncio onde nos entendiamos.
Desse tempo pouco ou nada ficou, apenas o vazio da tua partida.
Não sei se ainda te lembras do dia, em que ao teu lado, me fizeste ouvir pela primeira vez, o timbre da tua voz. Soou-me a notas de um violino e à medida que ias falando, dentro de mim, construia-se uma sinfonia.
Foi a tua voz que me fez acordar da letargia que este corpo, já morto, tinha.
Ressuscitei!
Devolveste-me a vida ao som da tua voz.
Os meus dias eram feitos de concertos, onde tu tocavas em mil e uma palavras , todas as notas.
Muitas vezes, sem saberes, olhava a tua boca para te ouvir, para te ler...o silêncio ia chegando  e impunha a sua ditadura.Não pediu licença, não perguntou se eu viveria sem a tua voz. Fez-se dono e senhor de mim e roubou-me a única coisa que me fazia viver: a melodia que saía dentro de ti.
Silênco...
Silêncio...
Tanto silêncio na ausência da tua voz que a noite escura que por dentro se fez, matou-me e já não sou mais nada.

Foto by NunoAndrade




sábado, 9 de fevereiro de 2013

És!

Se tu fosses Noite
Terias sempre a Lua

Se tu fosses Dia
Terias sempre o Sol

Se tu fosses Arte
Em ti, a mais bela poesia

Mas és Mar
onde me mergulho inteira
na onda que fazes                                                                            
meu desejo grita
feita espuma desfeita
do cansaço deste prazer.

Mas és Céu azul
suave abraço
doce pecado
Entrego-me completa,
nua e simplesmente ser...
Tua!
                                                                                     

Almas gémeas

O ponto exacto
onde tu e eu nos encontramos;
O momento exacto,
em que Tu és Eu,
e Eu sou Tu,
O Nós acontece
e tudo se desvanece!
Foto by NunoAndrade

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

"Actos de Fogo"

Perdeu-se na memória do Tempo,o momento que Deuses desceram à Terra e o seu lamento foi sangue derramado,vermelho Fogo.

Fogo!
Quente,
Ardente,
Envolvente....feito Paixão 
da que vive aqui dentro.

"Actos de Fogo III"



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Não sei se é minha ou tua, a tristeza
Não sei se é minha ou tua, a solidão
Sei apenas que é minha a saudade
Sei apenas que é minha esta perda.
Ao lado já não sinto a tua presença
apenas a minha alma
que de mansinho se sentou ao meu lado
e assim ficou neste silêncio
Foto by Eme


O Dia na vida da Gente

Há dias!
Muitos dias que passam por nós sem nada que nos faça lembrar que esse dia, é apenas mais um, dos muitos que em nós se fazem.
E há os outros dias que nos preenchem a alma e fazem todos os outros dias parecerem tão insignificantes que nos esquecemos que o tempo que por nós passa, tem-os na sua conta.
Depois...
Depois...há um dia, um só dia que nos apaga, que nos faz desaparecer como se fossemos simples marcas desenhadas nas areias finas e molhadas de uma praia qualquer.O Mar, dono e senhor, reclama o que é dele e leva-nos, desfeitos.
Há um dia assim na vida de toda a gente e na minha também porque afinal, sou apenas gente!

Foto by Eme



sábado, 2 de fevereiro de 2013

A Dança das mil e uma noites Azul

  Danço neste palco
  onde os dias se esquecem
  e as noites, as mil e uma noites
  de Azul se vestem

  Palco de água
  Azul que há em mim
 A magia do teu olhar
é banho de água cristalina
  que no meu corpo
   faz  desejo despertar.
  São assim....
  todas as mil e uma noites 
quando estás em mim
"Wather wall blue"


 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Invisível fragilidade

Faz-se de pedra por fora, o que por dentro se desfaz.
Somos tão frágeis que até a pedra dura que nos veste a pele, é folha de papel no momento exacto em que nos entregamos.
Na visível dureza, escondida está, a incerteza da fragilidade que não queremos tangível.
E, afinal, de que somos feitos?
Do Outro que queremos nosso.
Foto by Eme
















Dentro de mim há o infinito espaço para sonhar
Fora de mim há o infinito espaço para o aniquilar.

Foto by Eme

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

"All that Jazz"

Chovia...
Gotas finíssimas caíam agora ao chegar a noite.
As luzes da cidade começavam a mostrar as sombras que deambulavam pela rua e o chão, agora molhado, reflectia ténues luzes douradas.
Aconcheguei o blusão ao corpo. Soprava uma brisa fria, vestida de gotículas.
Não me importava o frio, a chuva, a noite que se aproximava. Estava sem destino e naquele momento, aquela atmosfera, era perfeita para mim. Eu, a cidade envolta em sombras e o frio, combinávamos. Estávamos uns para os outros, sem contrapartidas.
Ao longe, oiço a sonoridade de um saxofone.
Sempre gostei deste som.
 Lembra-me os tempos em que no Bar "All that Jazz", sentado na mesa redonda com um copo de whisky na mão e cigarro no canto da boca, ouvia o Zé Manel a tocar "Red Wind" de Jan Garbarek. Invariavelmente a noite acabava a ouvir isso e invariavelmente, a noite acabava nos lençóis amachucados pelo desejo que nos consumia.
Eu e ela, esquecíamos facilmente o mundo.O mundo era eu e ela, naquele quarto e quando o dia despertava, nossos corpos nus e cansados, eram tudo o que existia.
Aproximei-me ... cada vez mais presente a melodia, cada vez mais presente , ela.
O saxofonista nem notou a minha presença.
 Tocava com alma e nesse preciso momento, entreguei também a minha a "Red Wind" e a um quarto onde  perdi a minha, para nunca mais a encontrar.

Chovia...
Gotas finíssimas corriam agora pela minha cara...era mais uma noite a ouvir Jazz



domingo, 20 de janeiro de 2013

O imenso Oceano
feito por tantos mares
há partes de um todo
feito de metades
A ínfima gota,
tão exígua gota,
é partícula volátil
desse imenso Oceano.
E a imensidão 
faz o esquecimento
de uma pequena gota
que dentro de si
é toda Oceano
Foto by Eme



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Quero escrever as mais belas palavras, as mais belas poesias, os mais belos contos.
As palavras saem desalinhadas, as poesias sem melodia, os contos não têm história.
Quero ver as mais belas paisagens, captar os mais doces sorrisos, os olhares mais perfeitos.
Vejo desertos áridos, tristes sorrisos e olhares desconectados.
Talvez o cansaço, talvez o desalento, talvez o vazio, tudo isso, escrevo, vejo e sinto e na imensa noite que me embrulha, há apenas uma cortina de pequenas e finas gotas de chuva que na minha janela estão : lágrimas minhas que hoje é tudo aquilo que sou.

Foto by Eme


Minha alma quis voar
Flutuar nesse imenso mar
Breve foi o voo que me fez acordar.
O despertar rasgou-me a alma
já não sou uma...
lá em baixo,
feita pedaços
sou sombras de mim...
e sei apenas que assim vou continuar...
pela metade.
Já não tenho mais a brisa que me fazia voar.
Foto by Eme



quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Um dia...


"Um dia... num dia,
poisei o olhar neste mar
Meu corpo cansado
adormeceu neste banco
Vieram as ondas
lençóis de cetim feitos de espuma
embrulharam o meu corpo desnudado
e não sentir frio.
Ouvi o sussurro da tua voz
que me embalou em melodias
e o teu corpo, este mar
faz-me sua
Um dia...
talvez num dia
Tenha sonhado
que neste banco de jardim
fui feliz por um dia.

Foto by Eme